Pular para o conteúdo principal

Modernidade e literatura: exame do papel do ethos abrangente na sociedade premoderna e moderna a partir de uma comparação entre Orestes e Hamlet

Ontem o resumo pro meu artigo ao Evento Habermas 8o Anos - que será realizado nos dias 15 ao 18 de setembro em João Pessoa - foi aceito para comunicação individual. É, Agora tenho que escrevê-lo.

-

Palavras-Chave: Habermas – Sociedades premodernas e modernas – Ethos abrangente – Orestes – Hamlet.


Habermas explica que, na passagem das sociedades premodernas para as modernas, a situação de um ethos abrangente que, sendo ao mesmo tempo sistema de saber e de ações, dotava de unidade valorativa o mundo das interações cotidianas, se dissolveu e se fragmentou numa multiplicidade de orientações éticas, na qual a moral só pode atuar como saber cultural, cuja realização depende de estruturas individuais de internalização das normas. O artigo mostra o contraste entre os dois momentos a partir de um recurso à Literatura, lançando mão da comparação entre a atitude de duas personagens envolvidas num enredo trágico de vingança: de um lado, Orestes, típica personagem premoderna, que aceita de modo não problemático seu destino de vingar a morte do pai; de outro, Hamlet, típica personagem moderna, que, diante da mesma situação que Orestes, reflete sobre seu destino e questiona o próprio papel, ao mesmo tempo em que o desempenha.


Fernanda Mattos Borges da Costa – Graduanda em Direito – CENTRO UNIVERSITÁRIO DO PARÁ (CESUPA)


-


Gostaria de agradecer ao professor André pela presente e futura orientação, pela oportunidade de participar do Grupo de Estudos - Habermas e Teoria Crítica e por conseguir me ajudar a encaixar o tema!

Comentários

  1. Sandro Alex Simões13 de setembro de 2009 20:15

    Caríssima Fernanda,

    Sou neófito nesses domínios de blog, mas aos poucos começo a me convencer do interesse que podem despertar e não poderia deixar de registrar aqui que estarei aguardando o desenvolvimento do tema de sua postagem -a qual passarei a considerar uma instigante promessa de discussão. Fico bastante feliz pela sua trajetória de amadurecimento teórico nas escolhas que fez já há algum tempo. Ao André, a quem secundo na bela saudação que te dirige, uma sincera homenagem pelo estímulo constante e dedicado acompanhamento dos nossos mais promissores alunos. Um grande abraço, Sandro Alex Simões

    ResponderExcluir
  2. Parabéns pelo blog e pela exposição em sala.
    No momento da exposição, quando citaste o porquê da comparação entre as duas obras lembrei de uma terceira que acho que ficaria no meio termo das duas, a do rei Édipo, que não aceita seu destino tal qual Orestes, nem pode se questionar quanto a enfrentá-lo ou não como Hamlet por desconhecer seu verdadeiro "alvo" vingador. Mas por motivo semelhante ao que prof André citou na descrição do blog, decidi guardar para mim o comentário
    Beijos

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

A DUPLA MOTIVAÇÃO ENTRE ÁGAMÊMNON E ZEUS NO SACRIFÍCIO DE IFIGÊNIA

Segue abaixo o meu ensaio produzido para a matéria, Mito e Engano: a Ate na Ilíada, acompanhada na pós-graduação de Letras Clássicas, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
INTRODUÇÃO
No presente trabalho pretendemos analisar com brevidade o fenômeno da dupla motivação presente nas ações de Agamêmnon na tragédia de mesmo nome, primeira da trilogia da Orestéia, de Ésquilo. A passagem referente ao presságio das águias e da profecia reveladora de Calcas, em conjunto com os contornos do sacrifício de Ifigênia, tal como apresentados por Ésquilo, servirão de fundo para o estudo deste fenômeno construído na tensão entre determinação divina e autonomia das ações humanas. Agamêmnon, general do exército e sob o titulo do rei dos reis, reúne os gregos para a guerra contra Tróia. Está sob o juramento de seu cetro e deve seguir com a Justiça de Zeus pela vingança contra Páris e todo o povo de Príamo. Contudo se encontra incapaz de prosseguir, preso no porto de Áulida. Ártemis o …

Contextualização da Orestéia: Sobre a Guerra de Tróia, o Sacrifício de Ifigênia e a Maldição de Cassandra

Concentrar-nos-emos, aqui, em desenvolver um breve relado do corpo mítico e épico que embasa tanto a produção da Orestéia de Ésquilo, quanto o pano de fundo compartilhado por seus contemporâneos e pela sua audiência. Para esta produção, nos concentraremos – dentre as diversas narrativas míticas que embasam a obra de Ésquilo – naquelas a respeito da Guerra de Tróia, juntamente com o Sacrifício de Ifigênia e a Maldição de Cassandra. Ainda sim será um relato breve e tendo em vista as circunstâncias míticas que têm influência mais direta na peça. Esta escolha tem em vista a essencialidade da matéria para a compreensão da primeira peça da trilogia, Agamêmnon.

Na introdução, falar-se-á resumidamente da influência do mito e do épico no desenvolvimento do enredo da tragédia ática. Em seguida veremos versões míticas da (1) Guerra de Tróia; do (2) Sacrifício de Ifigênia; e da (3) Maldição de Cassandra e algumas passagens correspondentes da Orestéia.
A tradição dramática na ática tratava os contos…

Resumo recusado pela diretoria da ANPOF para participção no XIV Encontro Nacional de Filosofia

A relação entre justiça e vingança no enredo trágico pré-moderno e moderno: uma contribuição à teoria moral de Jürgen Habermas.

O trabalho pretende extrair duas diferentes concepções de justiça a partir das particularidades entre contextos éticos distintos, pré-moderno e moderno. A respeito disso, Habermas explica que: no mundo pré-moderno é possível interligar as diferentes ordens sociais a partir de um ethos comum, que permite a padronização de valores e instituições as quais recobrem os motivos e orientações da ação, por um lado, e interligam as normas políticas e de conduta, por outro; já no mundo moderno, pela racionalização do mundo da vida, ocorre o aumento do uso da racionalidade prática e cresce a reflexão a respeito da própria ordem e orientação ética tradicional, gerando as idéias distintas de auto-realização e autodeterminação as quais correspondem à diferenciação de questões éticas e questões morais. Para exemplificar as diferentes concepções de justiça, tratar-se-á do sen…